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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Às vezes canso-me
Canso-me de mim por dentro
Do exterior que me suga
Se algum vento vier que me leve
Nem que seja à volta de um poema
Canso-me de ser todos os dias
E as noites não me afagam os cabelos
Mas em ti no silêncio fico leve
Como fica leve o meu olhar sobre o mundo
 E o peso de todas as coisas


Sílvia Mota Lopes

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dou-te

Dava-te o mundo
Se ele coubesse na minha mão
Dava-te a lua se  conseguisse tocar-lhe
Até te dava o sol se pudesse…
Mas dou-te o meu amor que é imenso

E cabe em nós dois

SML

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Acordo
Ainda vestida da noite e de lua
Pálida triste recolhida
Ainda estão adormecidos os sentidos
Mal os sinto…
Logo pela manhã
Nem o cheiro de terra molhada me faz sentir o chão
Nem o ruído da cidade
Me faz presenciar a vida
Ausentou-se o sol e a luz
Espero
Agora
Em mim mais um dia



domingo, 16 de junho de 2013


As casas aqui na minha rua
Estão abraçadas umas às outras
As crianças são vizinhas e brincam nelas
Dormem nos sonhos umas das outras
Trocam risos e conversas
Soltam gargalhadas
Entram de pijama
Saem vestidas com aroma a primavera
As crianças da minha rua são como as casas
Estão abraçadas umas às outras
Porque…

Ainda vivem a esperança!

sábado, 4 de maio de 2013

Boa noite mãe!!! :)


Um dia um desejo invadiu todo o seu ser
Não queria ficar esquecido algures no universo
Num grau de areia
            Num raio de luz
Numa gota de chuva
           Num canto de um pássaro
O desejo chamou em silêncio
E todas as estrelas brilharam lá no céu
Revelaram o segredo aos habitantes do mar
E a todos os seres
Era o mar
Era o céu 
              em festa!
Mas que estariam a festejar?
E com o filho nos braços
Cantou-lhe a primeira canção de embalar
E todos os seres do universo
                                   Cantaram
Adormeceram os dois a sorrir!!!!


escrito de fresco :)

sábado, 9 de março de 2013

ser mulher


Sou mulher
Sou a lua
Sou o orvalho a madrugada
Sou o cristal sou a pedra
Sou um castelo na praia
Sou um junco que dobra
Uma lágrima em queda
Sou a brisa que passa
E o abraço que por ti espera
Sou a luz que te alumia
Sou a escuridão que te inquieta
Sou um sorriso
Uma  vida
Um ser
Que te completa

Sílvia Mota Lopes

terça-feira, 20 de novembro de 2012

a voz do anjo

 

As Palavras de um anjo

Não as ouvi

           Nem tu

O ruido intenso

Não deixa ouvir

        Não ouvem 

        Nem sentem

Parecem máquinas andantes
Sem qualquer valor

Nem tão pouco se sentem

          Homens

              Ausentes de amor

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Tu sabes...

 

Nesta pequena coisa

Mais coisa é dita

Dita é coisa sobre coisa

Coisa que não leva

A coisa alguma

E passamos a vida a dizer coisas

Coisas essas

Que

Nunca deviam ser ditas

Aquelas coisas….

Que coisam

E quando as dizemos

Tornam-se mal ditas

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E Tu? escrito de fresco:)

 

Pinto o verão

        na parede do meu quarto

o sol já está aqui à

 espreita

sorri  delira  ri

pisca o olho

     parece gente

os seus longos braços luminosos

                abraçam tudo de uma vez

desejam  desvendar um segredo

                  que a Lua deixou ao anoitecer

 

          no recanto do quarto

                 há um beijo perdido

                  uma lágrima que seca

                               desenhando a sua forma no chão

       escuto aquela melodia

que

 só o silêncio traz

   Solto um verso  uma poesia

            que um poeta deixou para trás

              e tu ?

                             encontras pedaços de sombra

                           fazes a luz acontecer

                             nesta vida que é incerta

 
 

sábado, 10 de novembro de 2012

:)

 

Olha o vento

Que por aqui passou

Trouxe um segredo

Nunca o desvendou

Trouxe as folhas do outono

Dançando ao seu compasso

Trouxe uma mensagem de amor

Perdida num terraço

Trouxe uma lembrança

Um recado na trança

Trouxe um pedaço de sonho

No sorriso duma criança

 

 

 

Anda...

 

Anda a passo de caracol

O pensamento

Comove

Salta como um sapo para a palavra

 Como move

Mergulha num lago de cor viva

Cora

tal e qual o coração

Há quem o diga

Há quem o sinta

Há quem o siga

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sonho de uma noite para um dia

 
Enquanto amanhece
Ainda dorme o sonho
No caos do tormento dos sentidos
Acorda
Bocejando ainda em circuitos fechados
Na veracidade do dia
Despe a emoção que a razão lhe dita
Mergulha na realidade distorcida
Da alucinação desmedida
De uma vida
                   esquecida


Sílvia Mota Lopes
  

domingo, 28 de outubro de 2012

In acabado

 

Findou o livro poético

Mas…

                  a poesia não

Apenas descansam as palavras

Adormecidas cá dentro

Deixo-as sonhar…entretanto

                  no pensamento

                  amaduram

E quando despertarem

Vão voar

             Voar

Do mesmo jeito que o vento

Na brisa do entardecer

 tocando de leve a quem passa

e batendo forte

              a  quem não

            quer ver

 

 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

foto tirada um mês antes do seu falecimento...dedico este poema aos meus sogros

 

Vem de longe

O som do piano

Os dedos dançam

Delicadamente

Nas teclas de duas cores

Como por magia

Acatam a melodia

 Não soa a dia

Mas a noite fria

Uma triste melodia

Com sabor a lágrimas

 Com cheiro a saudade

Ao som do piano

 Se espera

 Um novo amanhecer

 Um novo acordar

Um canto

O som do mar

O bálsamo do campo

O rubor de amar

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

 

Rama que abana

Em tempo de outono

Queda-se a folha

Amarga-se a alma

Em tempos…

Crianças à solta no campo

Descalças respirando liberdade

 Vivem agora em casas

 Com janelas de arame

Respiram aos golinhos

Tal como os prédios na cidade

E pelas ruas vestidas de folhas

Andam encolhidos aos beijinhos

Os namorados sem idade

E os “velhos” logo de manhã

Matam o tempo

A jogar à sueca

Na sua sábia batota

Dizem um palavrão e soltam uma gargalhada

Porque o tempo pouco lhes diz

ou não lhes diz mesmo nada!

 

 

 

 

 

 

sábado, 29 de setembro de 2012

 

Adormeces

Mas um toque faz-te sentir

Estremeces

Absorto de prazer

Estontecido com o sono

Entre o sonho e o momento

Fica esquecida

A imagem que não existiu

Lembrado

O corpo que sentiu

O ser que viveu

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Abandonado

 

Pela rua

Arredando pé

Vejo um velho de rosto esfomeado

De mão morta pedindo esmola

Veste um corpo cansado e sujo

Todo ele imundo!

A sua barba preta e branca

Mostra um passado presente

 Um futuro sem esperança

Mas dança…

Quando vê o sorriso de uma criança

 E sorri ao amor

E cheira uma flor

Porque já há algum tempo não cheira

E adormece

Porque esteve demasiado tempo acordado

E morre...
 Porque ninguém quis que vivesse



 

 

Fala-se do tempo

Fala-se devagar

Emergem as palavras

Procurando um lugar para morar

Fala-se…do ar em movimento

 Das ruas cobertas por mantas de folhas malhadas

Das mágoas, dos desejos em malas guardadas

Dos pássaros que partiram para sul

Faz tempo…

 Deixando vazios os beirais

Sim… partiram os pardais

Não mais se ouviu aquelas melodias

Que enchiam as avenidas

Agora os fios de água desenham o chão

E envolvem-se com a textura da terra

Formam um quadro de natureza viva

 Sobrepondo-se à morte de uma rua deserta

Ainda são amenos os dias

Mas as noites dada vez mais frias

E a paz do tempo

Amadura

Na alma do poeta

domingo, 23 de setembro de 2012

Pede tu ao vento

 
Pede tu ao vento
já desisti de lhe falar
enlouquece por vezes
nada o faz parar
é triste e fria a noite
mas envolvente quando ele chega
e nos seus braços
embala-me docemente
fecho os olhos
para o sentir
o meu corpo cansado adormece
percorro lugares e gentes
que nunca vi
mas...ao mesmo tempo
num tempo que desconheço
já o vivi

sábado, 22 de setembro de 2012

Para um búzio do vento e searas de versos:)


Vou-te contar um segredo
Não é doce nem salgado
É leve como a pena de um pássaro
Tem cheirinho a sonhos
É como um abraço apertado
Na hora de chegar
É a magia acontecer
Num búzio do vento
Que nos faz sonhar
E pelas searas de versos
Lá podes encontrar
Poemas brilhantes
Mais que diamantes bailando no ar
É uma ideia acesa
É uma planta a crescer
É uma forma de vida
Que vimos nascer