sábado, 10 de novembro de 2012

:)

 

Olha o vento

Que por aqui passou

Trouxe um segredo

Nunca o desvendou

Trouxe as folhas do outono

Dançando ao seu compasso

Trouxe uma mensagem de amor

Perdida num terraço

Trouxe uma lembrança

Um recado na trança

Trouxe um pedaço de sonho

No sorriso duma criança

 

 

 

Anda...

 

Anda a passo de caracol

O pensamento

Comove

Salta como um sapo para a palavra

 Como move

Mergulha num lago de cor viva

Cora

tal e qual o coração

Há quem o diga

Há quem o sinta

Há quem o siga

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sonho de uma noite para um dia

 
Enquanto amanhece
Ainda dorme o sonho
No caos do tormento dos sentidos
Acorda
Bocejando ainda em circuitos fechados
Na veracidade do dia
Despe a emoção que a razão lhe dita
Mergulha na realidade distorcida
Da alucinação desmedida
De uma vida
                   esquecida


Sílvia Mota Lopes
  

domingo, 28 de outubro de 2012

In acabado

 

Findou o livro poético

Mas…

                  a poesia não

Apenas descansam as palavras

Adormecidas cá dentro

Deixo-as sonhar…entretanto

                  no pensamento

                  amaduram

E quando despertarem

Vão voar

             Voar

Do mesmo jeito que o vento

Na brisa do entardecer

 tocando de leve a quem passa

e batendo forte

              a  quem não

            quer ver

 

 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

 

Rama que abana

Em tempo de outono

Queda-se a folha

Amarga-se a alma

Em tempos…

Crianças à solta no campo

Descalças respirando liberdade

 Vivem agora em casas

 Com janelas de arame

Respiram aos golinhos

Tal como os prédios na cidade

E pelas ruas vestidas de folhas

Andam encolhidos aos beijinhos

Os namorados sem idade

E os “velhos” logo de manhã

Matam o tempo

A jogar à sueca

Na sua sábia batota

Dizem um palavrão e soltam uma gargalhada

Porque o tempo pouco lhes diz

ou não lhes diz mesmo nada!