domingo, 28 de outubro de 2012

In acabado

 

Findou o livro poético

Mas…

                  a poesia não

Apenas descansam as palavras

Adormecidas cá dentro

Deixo-as sonhar…entretanto

                  no pensamento

                  amaduram

E quando despertarem

Vão voar

             Voar

Do mesmo jeito que o vento

Na brisa do entardecer

 tocando de leve a quem passa

e batendo forte

              a  quem não

            quer ver

 

 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

 

Rama que abana

Em tempo de outono

Queda-se a folha

Amarga-se a alma

Em tempos…

Crianças à solta no campo

Descalças respirando liberdade

 Vivem agora em casas

 Com janelas de arame

Respiram aos golinhos

Tal como os prédios na cidade

E pelas ruas vestidas de folhas

Andam encolhidos aos beijinhos

Os namorados sem idade

E os “velhos” logo de manhã

Matam o tempo

A jogar à sueca

Na sua sábia batota

Dizem um palavrão e soltam uma gargalhada

Porque o tempo pouco lhes diz

ou não lhes diz mesmo nada!

 

 

 

 

 

 

sábado, 29 de setembro de 2012

 

Adormeces

Mas um toque faz-te sentir

Estremeces

Absorto de prazer

Estontecido com o sono

Entre o sonho e o momento

Fica esquecida

A imagem que não existiu

Lembrado

O corpo que sentiu

O ser que viveu

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Abandonado

 

Pela rua

Arredando pé

Vejo um velho de rosto esfomeado

De mão morta pedindo esmola

Veste um corpo cansado e sujo

Todo ele imundo!

A sua barba preta e branca

Mostra um passado presente

 Um futuro sem esperança

Mas dança…

Quando vê o sorriso de uma criança

 E sorri ao amor

E cheira uma flor

Porque já há algum tempo não cheira

E adormece

Porque esteve demasiado tempo acordado

E morre...
 Porque ninguém quis que vivesse



 

 

Fala-se do tempo

Fala-se devagar

Emergem as palavras

Procurando um lugar para morar

Fala-se…do ar em movimento

 Das ruas cobertas por mantas de folhas malhadas

Das mágoas, dos desejos em malas guardadas

Dos pássaros que partiram para sul

Faz tempo…

 Deixando vazios os beirais

Sim… partiram os pardais

Não mais se ouviu aquelas melodias

Que enchiam as avenidas

Agora os fios de água desenham o chão

E envolvem-se com a textura da terra

Formam um quadro de natureza viva

 Sobrepondo-se à morte de uma rua deserta

Ainda são amenos os dias

Mas as noites dada vez mais frias

E a paz do tempo

Amadura

Na alma do poeta